Fusões e Aquisições: as questões críticas na integração dos sistemas

As fusões e aquisições envolvem, em geral, um processo de integração de sistemas quase sempre doloroso. Sem contar a integração entre as culturas empresariais envolvidas.

E quais são as falhas mais problemáticas após uma fusão ou aquisição e as tentativas de integrar as camadas tecnológicas das duas empresas envolvidas?

As falhas de integração nas fusões e aquisições são estimadas entre 70-90%, com as dificuldades na comunicação entre os dados sendo o principal entrave para alcançar melhores eficiências. Quando gerenciada corretamente, a TI desempenha um papel vital na criação de uma transição suave. No entanto, as integrações pós-fusão podem ser complicadas por causa de todas as complexidades envolvidas para se garantir uma transmissão de dados de forma transparente entre as empresas.

Podemos listar as questões mais comuns nestes casos:

Estratégia incompatível – O plano de integração deve levar em consideração os diferentes modelos de negócios das ambas empresas e os pontos fortes de seus respectivos departamentos de TI. Por exemplo, em uma fusão fracamente acoplada, os sistemas e organizações de TI podem sofrer apenas uma integração mínima.

Se as organizações forem significativamente diferentes em tamanho, a padronização em função da infraestrutura de TI da empresa maior pode funcionar melhor, com os dados da empresa manor sendo trazidos para o novo sistema.

Quando as empresas incorporadas possuem modelos de negócios diferentes, uma solução de melhor qualidade pode ser selecionada a partir das carteiras de TI disponíveis. Em todos os casos, é necessário fazer um inventário completo de todas as aplicações de sistemas e como eles são usados, antes de tirar conclusões. Sem uma avaliação completa das capacidades de cada departamento de TI – e quão estreitamente integrados os sistemas precisam ser – a solução resultante pode não atender aos requisitos de negócios da nova entidade criada.

Quebra da promessa da privacidade de dados – De acordo com a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos, todos os compromissos assumidos por uma empresa adquirida quanto à forma de coleta, uso, divulgação, transmissão, armazenamento, compartilhamento e destruição de informações pessoais precisam ser mantidos. Quando o Facebook adquiriu o WhatsApp, a Comissão Federal de Comércio afirmou que “o WhatsApp fez uma série de promessas … que excedem as proteções atualmente prometidas aos usuários do Facebook. Queremos deixar claro que, independentemente da aquisição, a WhatsApp deve continuar a cumprir essas promessas aos consumidores”. Antes de decidir sobre uma infraestrutura de TI combinada, a empresa adquirente precisa fazer uma grande diligência sobre a necessidade de se manter uma proteção de dados mais rigorosa.

Não cumprimento dos padrões regulatórios – É importante levar em consideração quaisquer padrões regulatórios relativos ao gerenciamento de dados específicos de uma indústria, de uma localidade ou país. Isto é especialmente verdadeiro se a nova empresa operar em uma nova região ou em um setor altamente regulamentado, como setores de Saúde, Financeiro, por exemplo. Todas as leis e regulamentos, nacionais e internacionais existentes e futuros, em relação às divulgações sobre a coleta de informações do consumidor, devem ser abordados, por exemplo PCI DSS, HIPAA, GPDR, ISO / IEC 27001, COBIT etc.

Dados de fornecedores incompatíveis – Um dos objetivos claros das fusões e aquisições é reduzir os custos através da eliminação de sobreposições. No entanto, nada mata mais rápido a emoção de uma aquisição do que descobrir que você não pode integrar sistemas para alcançar as sinergias que se esperava.

Um rápido ganho é conseguir maior poder aquisitivo com fornecedores. Mas, modelos de dados incompatíveis podem impedir ordens de compra combinadas. Um fabricante de interruptores e a empresa que ele adquiriu compravam milhares de componentes elétricos todo mês, mas, como  não conseguiram integrar os dados do fornecedor, não conseguiram fazer as economias de escala planejadas.

Perdas a curto prazo – O objetivo no primeiro dia é minimizar quaisquer interrupções nas operações comerciais normais. O plano de implementação deve se concentrar nos requisitos mais urgentes de TI,  como uma iniciativa separada de uma análise mais profunda do plano de fusão,  para que os clientes sejam atendidos e as transações sejam concluídas,.

Esta fase oferece uma oportunidade para fazer um balanço dos atuais sistemas e estruturas de TI da empresa resultante da fusão e definir as linhas de base que constituirão o alicerce para um sistema futuro, assegurando que as operações sejam suaves com a menor quantidade possível de interrupções.

Fuga de cérebros – As integrações de dados dependem de um conhecimento profundo dos sistemas e de seus dados. Mas normalmente após uma aquisição, conhecimento interno importante é perdido. Os funcionários de TI podem se aposentar, serem considerados desnecessários ou saírem por sua própria vontade sem compartilhar conhecimento crítico.

Informações sobre sistemas legados podem ser perdidas para sempre. Os consultores terceirizados que projetaram e implementaram os sistemas podem desaparecer sem deixar rastros. E a nova empresa terá dificuldades em definir uma estratégia se não conhecerem o histórico do sistema.

Fusões e Aquisições não são fáceis, nem também a integração de dados. Você pode evitar alguns dos desastres mais comuns de integração de dados, compreendendo os desafios de entrar em novos mercados e avaliando os pontos fortes e competências de todo o pessoal de TI.

Além de gerenciar requisitos de curto prazo, ter um plano de projeto que analise o risco e a complexidade de novos regulamentos, exigências de privacidade e regiões é a melhor maneira de evitar desastres de integração de dados pós-fusão.

 

Stephan Romeder – Managing Director – Magic Software Europe

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