O Estado Atual da Mobilidade

O lançamento nesse último trimestre (Q1-2013) dos números de participação de mercado dos sistemas operacionais me fez pensar sobre onde a indústria de dispositivos móveis se encontra agora e o que podemos esperar. Será que estamos vendo uma plataforma se tornar dominante ou o futuro será a fragmentação?

Os números brutos não ajudam muito: crescimento moderado a partir de um alto ponto de partida para o Android, e um pequeno declive de um ponto semelhante para a Apple. Enquanto as vendas de Blackberry estão muito baixas para o Windows começam a crescer, mas os pontos de partida para estes 2 ultimos estão baixos e as suas vendas são distorcidas por seus ciclos de vida de produtos atuais.

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A notícia no entanto, aponta para uma resposta muito clara: há muita inovação e ruptura vindo em nossa direção, em 12 meses, o mundo móvel será muito diferente.

Vamos começar olhando para o Android e Google, e do recente anúncio de que Andy Rubin deixou o cargo de chefe dos Sistemas Operacionais. Andy criou o Android como uma startup e conseguiu sua ascensão ao seu status atual de líder de mercado, então por que de repente ele foi deixado de lado? A resposta a esta questão lança luz sobre tudo o que o Google está fazendo agora.

O Google é uma empresa de serviços de nuvem. A declaração de missão diz tudo: “… para organizar a informação do mundo e torná-la universalmente acessível e útil”, o que significa que o Google precisa fazer as pessoas utilizarem seus serviços,  e a maneira mais fácil de fazer isso, é fazer com que estes serviços sejam tão funcionais e bem integrados quanto possível, em nossos dispositivos.

Da perspectiva do Google, essa é a questão central do Android: um sistema operacional unificado significa que todos os softwares do Google vão funcionar em todos os dispositivos, mas o mais importante agora tanto quanto entregar através de um navegador é garantir que os seus serviços continuem disponíveis (pense em como a Apple bloqueia o Google Maps fora da App Store). Android é um meio para um fim, e enquanto os usuários estão expostos a pesquisa do Google, não importa em que plataforma está sendo usado; Lembre-se, o Google não lucra com as licenças do Android.

Mas não é assim que Andy Rubin viu Android. Para ele, era um produto para proteger e desenvolver, a tal ponto que ele viu o sucesso do Android da Samsung como uma ameaça para o Google Android.

Eu escrevi recentemente sobre a possibilidade de que a Samsung tenha mesmo planos de largar o Android para o seu desenvolvimento Tizen OS, que é uma opção viável para muitos consumidores, pois o nome Samsung é uma garantia de que seu novo fone vale o dinheiro. Para o Google isso é bom, desde que os produtos do Google permanecem totalmente integrados.

Entra Sundar Pichai, no lugar de Andy. Sundar anteriormente gerenciava serviços, incluindo Chrome, Maps e tem um histórico de trabalhar bem com as parcerias do Google: exatamente as qualidades necessárias para aumentar a integração e a acessibilidade dos serviços do Google.

Na verdade, dois anúncios recentes sugerem que o Google pode estar planejando algo maior, a fim de integrar ainda mais seus serviços. A primeira delas é a portabilidade de QuickOffice para o navegador Chrome, um lance para tirar licenças de uso da Suite do Microsoft Office, alinhado com a meta estabelecida pelo Google, de atrair 90% dos usuários do Office, e oferecer uma boa integração com a Microsoft a ponto dos usuários mais avançados não se sentirem afetados. Claro, é uma empresa de serviços na nuvem.

O segundo anúncio, claro, é o fechamento controverso do Google Reader. Muitas explicações têm sido oferecidas para isso, de alto custo de manutenção à falta de rentabilidade e diminuição da base de usuários. Apesar de todos estes fortes argumentos, parece provável que o Reader – juntamente com muitos outros serviços – simplesmente não se encaixam mais na nova forma de evoluir do Google. O interessante é que o Google não decidiu simplesmente manter o Reader funcionando para manter os usuários existentes; e um olhar para o cemitério do Google, nos mostra algo interessante: dos 39 serviços listados, 27 deles foram fechados em 2012 ou 2013.

Dos 12 restantes, apenas um – Google Lively – foi fechado antes de 2011. Isto sugere que Google está dedicado a racionalização e integração de seus serviços. Vai ser interessante ver o que vem por ai.

O conceito de desligamento bem sucedido de serviços populares de meia-idade, a fim de inovar, nos lembra a Apple, que é conhecida pelo “momento revolucionário”, como se tivesse mudado completamente ou mesmo criado o mercado de tablets e smartphones. Agora a Apple tem se mostrado incapaz de fazer mais do que oferecer novas e melhores versões de seus dispositivos. É claro, Steve Jobs se recusou a lançar produtos que não fossem únicos, mas sem o seu gênio ainda não está claro como a empresa vai avançar. Em particular, a capacidade de Jobs estava em levar a tecnologia existente e criar quase uma histeria de demanda por ele. No entanto, parece que a Apple pode ter algo de interessante a mostrar com o iOS7, que foi recentemente descrito como um grande desenvolvimento. A partir dos rumores das mudanças que estão sendo discutidas, este novo sistema operacional pode chacoalhar a grande quantidade de fans que tem a Apple.

Falando sobre movimentação é bom começar a olhar para o Windows 8. Está se tornando impossível abrir um site de TI sem ver pelo menos um artigo anunciando o fracasso total do sistema operacional, mas isso é realmente justo?

A base de comparação que tem sido usado é a do Vista, mas essa análise ignora vários fatores-chave, sendo o mais importante, que os consumidores estão relutantes em apostar em tudo de uma vez na novidade; e os que estão dispostos tendem a ir primeiro ao tablet. Isso adicionado ao pobre diferencial dos tablets Windows RT e, ouso dizer, a cobertura predominantemente negativa do sistema operacional e não é surpreendente que eles não estejam comprando.

Apesar disso, eu acho que é muito cedo para descartar o Windows 8. Se ignorarmos as reações instintivas ligadas ao fato de ser diferente, os dados de satisfação dos clientes atuais sugerem que o OS é altamente polarizado e não fraco. Concordo que os consumidores e as empresas estão tentando protelar a compra de novos PCs, e eles provavelmente estão esperando para ver o quão bom o Windows 8 é, e na verdade, deixando que outros sejam cobaias, e talvez até ter uma idéia melhor de sua necessidade.

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Esse para mim é o principal problema do Windows 8: é muito diferente, não consigo me relacionar com ele ainda, ou olhar para ele e dizer: “Eu quero um desses, neste tipo de dispositivo, este tamanho, essas especificações” porque é realmente revolucionário. Mas esta não é a primeira vez que a Microsoft lançou um dispositivo, que especialistas descartaram e depois veio a se tornar uma tecnologia líder de mercado. Não, eu não estou falando do Windows (sim, haviam muitas pessoas lamentando quanto menos produtivo seria em relação ao DOS), mais sim do XBox.

Esta é uma empresa que sabe como criar produtos de qualidade (lembre-se, os usuários não querem deixar um OS de três gerações de idade como o XP) e há mais no caminho. A equipe do Microsoft Surface em recentes sessões de “Perguntas e Respostas”, soltou algumas dicas muito interessantes sobre o que pode vir pela frente, coisas que ainda nem imaginamos. O sistema operacional está em sua infância, mas é claro que a Microsoft ainda pensa que tem de haver um vencedor.

Dados de vendas do Blackberry mostram uma grande queda, mas isso é de se esperar com o lançamento do BB10 apenas no final do trimestre. Eu escrevi sobre isso recentemente e acho que isso poderia ser melhor sucedido, no entanto, vamos ter uma visão melhor em 6 meses.

Enquanto isso, a Amazon acaba de recrutar o executivo ex-Windows Phone Charlie Kindel, que anunciou que está trabalhando em “algo secreto”. Vamos ter que esperar e ver se trata-se de um dispositivo na forma de um Kindle Phone ou uma melhor integração como é esperado pelo Google e pelo Launcher do Android do Facebook, o Facebook Home. Você lembra como eu mencionei anteriormente que o importante para o Google é manter seus produtos de pesquisa à frente e ao centro? Esta evolução poderá desencadear uma grande batalha para os olhos dos usuários móveis. Grandes desenvolvimentos estão vindo de outros lugares menos esperados também, como do novo servidor da HP “Moonshot” que eu escrevi sobre recentemente.

Então, onde é que o setor de telefonia móvel está agora? As vendas de Android estão crescendo a partir de uma base alta, a Apple está encolhendo ligeiramente, com as vendas do Blackberry e Windows 8 ainda muito baixas … mas há tanta coisa acontecendo, que tudo o que posso ter certeza é de que amanhã será muito diferente. Então, agora, o mais importante é seu negócio ser a prova de futuro, investindo em aplicativos que funcionam em diferentes plataformas, porque ainda é muito cedo para dizer quem irá dominar o mercado.

English and Original Version

 

David Akka - CEO Magic Software UK

David Akka – CEO Magic Software UK

 

 

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